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Máquina de Escrever, April 2017

Grande admiradora de Leonard Bernstein, a maestrina norte-americana Marin Alsop continua a homenagear o seu mentor em mais uma gravação que edita pela Naxos. Dois anos depois da ‘Sinfonia N.º 3’, eis que edita as suas primeiras sinfonias do compositor, novamente com a Baltimore Symphony Orchestra.

Ao ser nomeada para a direcção da Baltimore Symphony Orchestra (BSO) em 2007, Marin Alsop tornou-se a primeira mulher a dirigir uma das grandes orquestras norte-americanas. Grande admiradora de Leonard Bernstein (não apenas como músico mas também pela sua personalidade), a maestrina tem vindo a construir uma obra igualmente sem barreiras e agradavelmente versátil e apresentando já uma importante discografia tem ganho merecida exposição à escala global. Essa herança de Bernstein revela-se, por exemplo, no modo como a compositores europeus como Mahler, Dvorák ou Bartók a sua atenção tem focado frequentemente as grandes referências da música americana, desde Samuel Barber ou Aaron Copland a Philip Glass, John Adams, John Corrigliano e Michael Daugherty não esquecendo naturalmente o seu antigo mestre. De já nos deu, via Naxos, uma magnífica interpretação de Chichester Psalms (em 2003), de um conjunto de obras mais curtas como Serenade, Facsimile e Divertimento (em 2205) sua Missa (em 2009) e, mais recentemente, a Sinfonia N.º 3 ‘Kaddish’ (em 2015), estes dois últimos discos gravados com a Baltimore Symphony Orchestra. Agora, uma edição que junta, com a mesma orquestra, as duas primeiras sinfonias de Bernstein, completa mais um ciclo dentro do corpo de uma obra à qual certamente irá regressar.

A Sinfonia N.º 1—Jeremiah, de Leonard Berstein (1918–1990), composta em 1942, é uma obra intensa que, se por um lado traduzia uma atenção do músico ao contexto de tempo, lugar e vivência cultural que o envolvia (captando na tradição do teatro musical uma marca de identidade da mesma forma como Gerswhin havia assimilado o jazz alguns anos antes), por outro vincava a assombração de alguém que, de ascendência judaica, não deixava de reflectir sobre um tempo de perseguição e morte que se vivia, então já em plena II Guerra Mundial.

Composta entre 1948 e 1949, a Sinfonia N.º 2—The Age of Anxiety é uma obra para piano solista e orquestra e tem o seu título inspirado por um poema de W. H. Auden’s dedicado a Serge Koussevitzky, maestro e compositor que foi durante largos anos o diretor artístico da Boston Symphony Orchestra. Nesta gravação Marin Alsop conta com o pianista Jean-Yves Thibaudet como solista. © 2017 Máquina de Escrever





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