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Maria Augusta Gonçalves
Jornal de Letras, June 2015

PINHO VARGAS, A.: Os Dias Levantados (The Raised Days) (Coro do Teatro Nacional de São Calos, Lisboa, Portuguese Symphony, Santos) 9.70231-32
PINHO VARGAS, A.: Verses and Nocturnes (Northern Sinfonia, Vaganza, Brönnimann) 9.702333

Dois discos essenciais, com obras de António Pinho Vargas, voltam a estar disponíveis, desta vez através de plataformas digitais, com edição da internacional Naxos: a ópera “Os dias levantados” , memória de antes e depois de Abril, e “Versos”—agora “Verses and Nocturnes”—, título que vem de “Três versos de Caeiro” (não cantados), do sexteto “Nocturno/Diurno” e de canções sobre poemas de António Ramos Rosa e de Albano Martins.

“Os dias levantados”, ópera com libreto de Manuel Gusmão e citações que vão de Fernão Lopes a Sophia de Mello Breyner Andresen, foram estreados a 2S de Abril de 1998, no Teatro Nacional de São Carlos, e retomados numa versão “semi-encenada”, em 2002, na Culturgest, que deu origem a este duplo CD, editado pouco depois—e que rapidamente viria a esgotar-se—, a partir da gravação (feita por José Fortes), dessas últimas récitas.

Quanto ao álbum “Versos”, surgiu em 2000, quase seis anos após o extraordinário “Monodia—Quasi um requiem” (que o Quarteto Arditti viria posteriormente agravar), e a sua disponibilidade foi—se dissipando, conforme os anos passavam sobre o fecho da editora original.

“Verses and nocturnes”, como agora se designa, inclui o sexteto de cordas “Nocturno/Diurno”, “descendente” natural de “Monodia”, “Nove Canções de António Ramos Rosa” e “Sete Canções de Albano Martins”, a que se juntam “Três Versos de Caeiro”, para 12 instrumentos—três versos que funcionam à semelhança de um “programa de interpretação”, como o compositor explica nas notas que acompallham a nova edição. As canções (de Ramos Rosa e Albano Martins) são interpretadas pelo tenor Rui Taveira, o barítono Paulo Ferreira e o pianista Jaime Mota; as restantes peças, pela Northern Sinfonia e seus elementos, sob a direção do maestro Baldur Bronnirnann.

Os dois álbuns reúnem obras do final dos anos de 1990, início de 2000, essenciais no percurso do compositor e na história da música portuguesa. São também testemunhos únicos de um tempo, da sua substância e da sua história—característica, aliás, da grande obra de António Pinho Vargas.

Em “Os dias levantados”, a premissa pode ser mais evidente. No centro do drama há urna verdade histórica, sob a multiplicidade de olhares, há memória de antes e depois de Abril. E há sequências inesgotáveis—de tão mobilizadoras, de tão exigentes, de tão belas—, logo desde o início, com “O salto do tigre a céu aberto” , ao iInpressionante coro de Fernão Lopes, “A gente começou de se juntar”, a “II Combattimento” e ao “Êxodo” (“Esta escrita vai durar”) .

Em “Versos”, tudo é (de novo) a “intacta ferida” de que partem os poemas de Ramos Rosa, mas que também estão nessa verificação de Caeiro: “Se eu morrer muito novo, oiçam isto: Nunca fui senão uma criança que brinca”.

A ópera conta com os cantores Ana Ester Neves, Ana Paula Russo, Elvira Ferreira, Jorge Vaz de Carvalho, Luís Rodrigues, Carlos Guilherme, Paulo Ferreira, Nicolau Domingues, Nuno Cardoso e João Miguel Queirós, com o Coro do Teatro Nacional de São Carlos e a Orquestra Sinfónica Portuguesa, sob direção de João Paulo Santos. E não voltou a ser apresentada em palco, desde 2002.

“Os dias levantados” e “Versos e nocturnos” (que, na nova edição, ganham traduções em inglês) surgem agora na maior editora mundial, em diferentes as plataformas digitais—Qobuz, emusic, Crotchet, Classicsonline, Presto Classical, Gramola, Naxos Direct, Arnazon, iTunes…—, poucos meses após a edição, sob o mesmo “selo” , do Requiem e da oratória “Judas”, do compositor.

António Pinho Vargas escreveu “Música e poder—Para uma sociologia da ausência da música portuguesa no contexto europeu”, porque a história da música portuguesa é também urna história de ausências. De muitas ausências. De cada vez mais ausências. E, por isso, é também uma história de perda e destruição. © 2016 Jornal de Letras





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